segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

No caminho

Hoje, quando eu voltava do Pomar (tipo um mercado de fruta e verdura e mini-mercado) eu vi um casal de velhinhos passeando. Ela bem mais firme do que ele, ele observando os detalhes de uma buganville. Antes de chegar no arbusto florido ele havia encontrado um colega e fez um tipo de pilhéria se agachando (num é ficando de cócoras né? porque ele deve ter uns 85-90 anos ou mais).
Tudo isso pra dizer que, como acontece em todas as ocasiões em que eu vejo um casal de idosos eu lembro dos meus avós e em como eu achava bonito os dois casais. E bateu uma saudade...
Pensei em chegar em casa e logo escrever um post sobre a saudade que ando sentindo, mas acabei fazendo um monte de outras coisas (sabe como é né, essa vida de dona de casa) e tendo tempo pra pensar melhor no que escrever (sinto muito se pensar melhor não signifique escrever um post melhor que esse).
Então desde de tarde que eu penso nos tipos de saudade. A saudade que sinto de quem morreu é bem diferente da saudade que sinto daqueles que resolveram morrer da minha vida. E pensando mais e mais cheguei a conclusão que eu sinto mais saudade do futuro que não aconteceu do que do passado, e isso é péssimo.
Não que eu fique lamentando sobre as inúmeras possibilidades que surgem todos os dias nas nossas vidas, mas veja bem quando estamos vivenciando a coisa em si nem sempre nos damos conta que existem outros caminhos. Isso causa, no futuro uma sensação estranha, um misto de arrependimento e de frustração (acho que não consegui me expressar direito porque enquanto redigia essa sentença o vizinho-de-janela-simpático apareceu, mals aê).
Eu, e não sei mais quantos doidos fazem essa mesma coisa, fico pensando o que seria se eu não fosse tal coisa. E se eu não fosse psicóloga, e se eu tivesse nascido numa família cheia de irmãos, e se meus pais nunca tivessem voltado para Recife, e se... e se eu não tivesse me desbancado de Recife para São Paulo?
Lembrei então da zona de conforto e como algumas pessoas (tá, eu ouvi isso na faculdade de uma outra forma mas agora não lembro mais dos detalhes e tudo o que o google me diz é sobre "zona de conforto e empreendedorismo") precisam sair dela para que algo aconteça na sua vida. Talvez realmente fosse esse o meu caso, Recife é minha zona de conforto e eu precisava sair dela. É claro que eu determinei alguns objetivos mas de uma forma ou de outra eu saí dessa zona e entrei em outra, bem menos confortável.
Por enquanto fico com a saudade daquilo que ainda não foi...

3 comentários:

Maria Jose disse...

Filha, só uma pessoa com a nobreza do seu coração para, com tantas coisas acontecendo na sua vida, parar pra "VER" um casal de velhinhos passeando. Logo,logo estaremos lembrando como teria sido esta parte também. Te amo.

Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria disse...

O bom da "saudade do que não foi" é que ela nos permite fantasiar. E o que seria de nós, sem as nossas fantasias!
Fantástico esse post!!!
Cada dia tenho mais certeza de que temos que colocar nosso projeto de contar nossas "histórias" em prática.