domingo, 1 de novembro de 2009

Aceitação

O assunto em voga é o caso da estudante que foi esculhambada pelos "colegas" na UNIBAN. Aí alguém, ou Léia porque talvez só ela vá ler o post, se pergunta: por que o título do post é aceitação?
Então, na minha humilde opinião o que faltou aos outros estudantes, porque não, nenhum deles são colegas da moça, foi aceitar. Aceitar que a menina gosta de usar roupas curtas e de cor chamativa, aceitar que era verdade que da aula ela iria direto para uma festa... enfim, aceitar a aluna como ela é. Você não tem que ser colega de todos na faculdade, nem virar amigo "para sempre" como diz a música que adoram colocar nas formaturas. Nada disso, nem na faculdade nem em nenhum outro espaço social, a única coisa que precisamos é respeitar e aceitar o outro.
Vou falar da minha situação quando estudante universitária. Parece que faz tempo falando assim, mas concluí a graduação em 2007 e a pós no começo deste ano.
Durante a graduação eu fui "a esquisita" por um tempo (também durante o ensino fundamental e médio mas vou me deter à universidade). Por que? Porque usava calça azul royal e camisa amarelo canário, porque não escondia a calcinha quando a calça tinha a cintura muito baixa (pensava eu: melhor a calcinha do que outras coisas né?)... eu usava saia indiana, que minha mãe chamava de gaze de tão fino que era o pano... um risco grande eu corria quando batia um vento mais forte ou quando eu ficava contra a luz... posso garantir que em 95% dos dias de aula eu fui à faculdade usando havaianas, raramente um tênis ou outra sandália rasteira... no calor dos debates em sala de aula eu me sentava "em cima" na carteira (lugar reservado à escrita) porque não sei defender meus argumentos olhando a pessoa por entre 15 cabeças...
E se eu omitir alguns detalhes não se terá uma visão clara da coisa: a faculdade que cursei é uma instituição católica, de freiras dorotéias, e +- 30% da minha turma era formada por evangélicos, 45% de católicos e o restante ou não informou, ou era de outras religiões, ou indefinido.
Mas lá havia uma tolerância e um respeito ao diferente, ao não usual... haviam discussões? sim. haviam comentários pelas costas? sim. Mas digo com muita alegria... eu tive as melhores conversas sobre sexualidade com duas amigas, uma era católica e a outra evangélica ambas estavam noivas e iriam casar virgens. Tentei persuadi-las de certa forma? sim. Argumentava que elas deveriam conhecer o produto antes de comprar, que sexo faria parte da vida conjugal e precisava rolar uma química legal, um respeito, etc, mas nunca encarei-as como erradas, estava dando apenas meu ponto de vista sobre o assunto. Eu acredito(ava) que o sexo merecia atenção, pois conheço uma mulher que foi casada por, sei lá 30 anos, e hoje com mais de 50 anos, após divorciar-se quer correr atrás do prejuízo.
Nossa que história comprida... enfim, isso tudo para dizer que é possível sim que a estudante da UNIBAN tenha beirado o ridículo com sua roupa? Sim é pos´sivel, mas e o que os outros 700 alunos têm a ver com isso?

Um comentário:

Cucchiaio pieno disse...

Oi querida, tenho certeza que muitas pessoas leem o que voce escreve, a unica diferença é que eu comento! E concordo que ninguém tem nada com a vida do proximo! Fiquei te imaginando de saia indiana, havaianas e sentada em cima da carteira para debater olho olho e adorei - isto é ter personalidade!
Um grande abraço
Léia
Obs.: Também concordo: antes de casar é muuuuuuito importante conhecer o "produto" primeiro. Casar com alguém ruim de *** é ser fadada(o) a insatisfaçao - ninguém merece!